domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 29/1/2010, escreveu no Digestivo cultural um texto sobre o feio e o belo e o que achamos dessas duas coisas que nos cercam.
A mais bela lhe parecia feia e um menino que lhe parecia (no texto), uma pessoa linda, não se sabe se era belo ou não, porque não havia como julgar ou enxergar detalhes belos ou feios pois sua aura era linda e ele emanava uma beleza que transcende as palavras.
Há uma beleza que não se vê, se sente. Há uma feiura, que está à frente da beleza também. Muitas vezes não temos certeza de que estamos mesmo diante de alguém bonito, sua fealdade esconde seus predicados físicos.´Particularmente, acho que belo é quem sabe ser feliz, quem tem satisfação com o que vive diariamente, que sabe tomar um belo tombo e levantar solenemente, sacudir a poeira da b... e seguir em frente.
Lindo pra mim é ser ou tentar ser transparente, saber usar de sinceridade sempre, pricipalmente consigo (antes de tudo).
Bonito não é só ter um corpão, mas lembrar do que diz Arnaldo Antunes: o corpo guarda uma pessoa dentro dele.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Édipo Rei - umas questões

Édipo é um herói nascido em uma família de alto status social. ao nascer, já é previsto pelos oráculos que este trará a tragédia para o seu meio.
Ainda que se tente mudar esse destino, não há como impedir que se cumpra.
O herói crê estar vivendo uma vida de caráter e retidão, a julgar pelo respeito que lhe é dedicado, porém, através de suas próprias mãos, acaba por confrontar seu próprio daimon, aquele destino previsto para ele.
apesar de não saber, o herói está vivendo em erro e sua própria hybris o motiva a isso.
A hybris é a desmedida, uma faceta de sua personalidade à qual não consegue impor controle. Édipo era extremamente autoconfiante e mesmo quando esteve diante de fatos que poderiam ser indícios de que ele era o assassino de Laio, não se calou nem cessou a investigação. O herói, então, apresenta a hybris.
Ele se divide entre o seu próprio caráter (ethos) e seu destino (daimon). Vive em uma sociedade mítica.
Seu erro está em tentar confirmar quem ele é. Busca incansavelmente essa informação, que o fará cair em desgraça ao reconhecer que matou o próprio pai e casou com a própria mãe. Apesar dos esforços de Jocasta para ele ser morto ao nascer e de ele ter tentado fugir de seu destino, foi ao seu encontro e este é implacável, cumprindo-se tragicamente. O herói apresenta certa dúvidasobre esse poder dos deuses e chega a achar que eles erraram em suas previsões. Ao confrontar sua tragédia, assume-a publicamente, expõe a todos sua dor. Sua mente não entende o porquê da interferência dos deuses para fazê-lo cumprir tão triste destino. Por ser um líder, castiga a si mesmo por seu erro, condenando-se ao mesmo castigo que condenaria um súdito.

Segundo os desígnios divinos, a falha de édipo teria sido crêr, confiar demasiadamente em si.
Ao deixar a cidade onde crescera tentando driblar seu destino, na verdade, encaminhou-se para seu cumprimento. Tentando descobrir quem era, caiu em desgraça, como fora previsto.

Édipo carrrega uma ambiguidade típica do do homem grego que viveu no século V antes de Cristo. Ele é dividido entre razão e fé, corpo e alma, tradições e mundo racional. Há uma recusa ao passado opressor, mas ainda é incerto quanto às mudanças que ocorrem no seu meio social e político e as consequências que virão disso tudo. essa ambiguidade é geradora de tensão, onde repousa a aprópria estrutura da tragédia - na criação de um sentido ambíguo, duplo e simultâneo, que expressa um mundo dilacerado pelas contradições.