quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Édipo Rei - umas questões

Édipo é um herói nascido em uma família de alto status social. ao nascer, já é previsto pelos oráculos que este trará a tragédia para o seu meio.
Ainda que se tente mudar esse destino, não há como impedir que se cumpra.
O herói crê estar vivendo uma vida de caráter e retidão, a julgar pelo respeito que lhe é dedicado, porém, através de suas próprias mãos, acaba por confrontar seu próprio daimon, aquele destino previsto para ele.
apesar de não saber, o herói está vivendo em erro e sua própria hybris o motiva a isso.
A hybris é a desmedida, uma faceta de sua personalidade à qual não consegue impor controle. Édipo era extremamente autoconfiante e mesmo quando esteve diante de fatos que poderiam ser indícios de que ele era o assassino de Laio, não se calou nem cessou a investigação. O herói, então, apresenta a hybris.
Ele se divide entre o seu próprio caráter (ethos) e seu destino (daimon). Vive em uma sociedade mítica.
Seu erro está em tentar confirmar quem ele é. Busca incansavelmente essa informação, que o fará cair em desgraça ao reconhecer que matou o próprio pai e casou com a própria mãe. Apesar dos esforços de Jocasta para ele ser morto ao nascer e de ele ter tentado fugir de seu destino, foi ao seu encontro e este é implacável, cumprindo-se tragicamente. O herói apresenta certa dúvidasobre esse poder dos deuses e chega a achar que eles erraram em suas previsões. Ao confrontar sua tragédia, assume-a publicamente, expõe a todos sua dor. Sua mente não entende o porquê da interferência dos deuses para fazê-lo cumprir tão triste destino. Por ser um líder, castiga a si mesmo por seu erro, condenando-se ao mesmo castigo que condenaria um súdito.

Segundo os desígnios divinos, a falha de édipo teria sido crêr, confiar demasiadamente em si.
Ao deixar a cidade onde crescera tentando driblar seu destino, na verdade, encaminhou-se para seu cumprimento. Tentando descobrir quem era, caiu em desgraça, como fora previsto.

Édipo carrrega uma ambiguidade típica do do homem grego que viveu no século V antes de Cristo. Ele é dividido entre razão e fé, corpo e alma, tradições e mundo racional. Há uma recusa ao passado opressor, mas ainda é incerto quanto às mudanças que ocorrem no seu meio social e político e as consequências que virão disso tudo. essa ambiguidade é geradora de tensão, onde repousa a aprópria estrutura da tragédia - na criação de um sentido ambíguo, duplo e simultâneo, que expressa um mundo dilacerado pelas contradições.

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